MÃOS FEITAS

Descrição
APAS - ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE SUPERMERCADOS

Mãos Feitas

Mulher APAS

Braço social da Associação Paulista de Supermercados, a Mulher Apas foi criada no segundo semestre de 2002, com uma diretoria composta por 15 mulheres da capital e do interior ligadas ao setor supermercadista. A entidade tem por objetivo congregar o público supermercadista feminino e desenvolver os projetos de responsabilidade social da associação. Desde seu início, vem apoiando diversas ações de reconhecida importância para a sociedade, como também implementando seus próprios projetos, a exemplo do projeto Mãos Feitas, apresentado detalhadamente a seguir.

Projeto Mãos Feitas

O objetivo do Projeto Mãos Feitas é profissionalizar mulheres da cidade de São Paulo em situação de exclusão social, para que possam cada vez mais auxiliar e/ou manter suas casas, recuperando sua auto-estima e cidadania. Tal iniciativa está baseada no crescente número de lares que são mantidos por mulheres ou em que, quando o homem é o mantenedor, o salário da mulher é fator importantíssimo para o complemento da receita familar.

Ao oferecer cursos de manicure e pedicure, o projeto capacita mulheres que não tiveram acesso à educação a exercer uma ocupação que, por sua flexibilidade, permite conciliar o trabalho profissional com os afazeres do lar e o cuidado com os filhos.

A meta inicial do projeto era atender 500 mulheres. Entretanto, devido à grande aceitação e à procura por parte de inúmeras entidades indicadas pelo Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo (Fussesp), o Mãos Feitas se desdobrou em mais uma fase.

O público beneficiado são mulheres acima de 18 anos em situação econômica desfavorável, com exceção de mulheres sem mobilidade nas mãos e nos braços e/ou com deficiência visual grave.

O projeto atende toda a cidade de São Paulo. Na primeira fase, entre maio de

2004 e maio de 2005, foram atendidas entidades localizadas nas zonas norte e oeste. A segunda fase, que teve seu início em fevereiro de 2006, atendeu entidades da zona sul, uma das maiores regiões da cidade.

O número de formandas por região foi delimitado, para que não houvesse saturação de mercado e, conseqüentemente, diminuição das oportunidades de trabalho para cada uma delas.

Parcerias e apoiadores

A Mulher APAS firmou parceria com o Fussesp, tanto na primeira como na segunda fase do projeto, a fim de que este indicasse suas entidades cadastradas para receber o curso.

Nas duas fases do projeto, a entidade contou com o apoio da Niasi, fornecedora dos produtos de manicure utilizados nas aulas práticas. Na segunda fase, obteve-se também o apoio da Ametista Lixas e Acessórios, que forneceu produtos para complementar os kits distribuídos no curso.

Por fim, três peças de jóias doadas pela joalheira Marta Leitão foram utilizadas em um sorteio promovido em dois jantares beneficentes oferecidos pela Mulher Apas, com vistas à arrecadação de fundos para as duas fases do Mãos Feitas.

Administração do projeto

Em suas duas primeiras fases, o Projeto Mãos Feitas foi coordenado por Mariana Correa, diretora de Ação Social da Mulher Apas, apoiado por Rose Pavan, secretária da Mulher Apas e supervisionado por Rosânia Dela Bruna, então presidente da Mulher Apas.

Operacionalização do projeto

a) Escolha das capacitadoras: manicures profissionais da região a ser atendida são selecionadas, passando por um treinamento intensivo de três semanas, para depois, serem direcionadas às entidades inscritas junto ao Fussesp, para realizarem o curso. A opção da Mulher Apas por mulheres da região tem como finalidade facilitar sua locomoção e também o convívio com as alunas.

b) Contato mensal com o Fussesp para análise e obtenção dos nomes das entidades atendidas em cada mês. Ao contatar cada entidade interessada em receber o curso, o Fussesp informa as condições básicas estipuladas pela Mulher Apas para sua realização, a saber:

• Sala arejada e bem iluminada, com uma média de 20 alunas por classe.

• Não são aceitas alunas menores de idade.

• Não são aceitas mulheres com imobilidade nas mãos, braços e/ou com deficiência visual grave (sem possibilidade de correção por meio de lentes ou óculos).

• Necessidade de pia ou tanque para a higiene das mãos antes do início das aulas e após sua finalização.

• No caso de não poder comparecer a alguma aula, a aluna deveria apresentar um atestado comprovando o motivo de sua ausência. Ela poderia faltar a no máximo duas aulas práticas.

• Local com chave (armário ou sala) para armazenamento do material de trabalho, qual seja: os kits de produtos utilizados durante as aulas práticas.



c) Contato com os responsáveis de cada entidade, após o início do curso, para a apresentação da coordenadora do projeto. É solicitada uma avaliação inicial do comportamento da capacitadora perante as alunas.

d) Visitação às entidades, quando possível, durante o andamento do curso, para avaliação in loco do local, das alunas (eficiência do aprendizado) e da capacitadora (eficiência instrucional).

e) Contato freqüente com as capacitadoras (a cada dois dias, em média, fora do período de aula) para monitoramento do aprendizado das alunas e a solução de quaisquer dificuldades ou problemas que possam surgir.

f) Calendário e plano de logística para envio de material (apostilas, fichas, kits, certificados e outros itens) a cada turma, conforme a necessidade das diferentes entidades (número de alunas, etc.).

g) Controle do material necessário para os kits e as aulas.

h) Participação, no último dia de aula e nas formaturas

O curso tem duração de um mês (20 dias úteis), com duas horas diárias de aulas teóricas e práticas ministradas nos turnos da manhã e da tarde.

Aulas teóricas

Durante o período das aulas teóricas, são lidos e discutidos contos que auxiliam as alunas a se auto-avaliar e a fazer uma reflexão sobre suas vidas, o que desejam e, principalmente, sobre a capacidade do ser humano de compreender novas atividades. O objetivo é reestabelecer a auto-estima e fazer com que elas se sintam capazes e confiantes para pôr em prática os novos conhecimentos adquiridos.

As aulas teórica são divididas em seis partes:

1ª Aula – Introdução: esclarecimentos sobre a Mulher Apas, os objetivos do curso, as regras para participação, preenchimento de ficha de inscrição com dados e informações sobre a aluna. Esses são subsídios para mudanças estratégicas de abordagem ou alterações do curso, caso necessário.

2ª Aula – Etiqueta e comportamento: como se portar no local de trabalho, podendo ser este a própria residência, a casa da cliente ou um salão de beleza situado em qualquer local da cidade; como conquistar e fidelizar a cliente de forma educada e profissional.

3ª Aula – Higiene pessoal: como se apresentar no ambiente de trabalho de maneira profissional. Nesta aula são abordados temas como higiene básica e trajes adequados.

4ª Aula – Esterilização do material de trabalho: a importância e obrigatoriedade da esterilização do material de trabalho, com explicações sobre doenças como a Aids e a Hepatite C, além de outras doenças transmissíveis em função de material não-esterilizado; como efetuar uma esterilização profissional em casa, utilizando técnicas informadas pela área da saúde (uso da panela de pressão).

5ª Aula – Teoria da manicure/pedicure: os diferentes aspectos do trabalho que a manicure/pedicure encontra no seu dia a dia. A manicure aprende a reconhecer diversas doenças ou problemas apresentados por mãos e pés, sendo, a partir daí, orientada a aconselhar seus clientes a procurar ajuda profissional adequada, conforme o problema apresentado.

6ª Aula – Cálculo e controle de custos: são ensinados os fundamentos do controle de custos e do planejamento financeiro, de modo que as alunas aprendam não só a faturar com sua nova profissão, mas também a controlar seus gastos para fazer render ao máximo o dinheiro recebido e aplicá-lo conforme suas necessidades.



Aulas práticas

As aulas práticas acontecem nos 14 dias úteis seguintes, quando as alunas aprendem a manusear corretamente todos os instrumentos de trabalho (cortadores de cutícula, espátulas, palitos e demais acessórios), além de técnicas de esmaltação e dicas para o melhor aproveitamento do material de trabalho, evitando o desperdício.

Há uma ênfase constante na prevenção de doenças e, conseqüentemente, nos cuidados com a higiene e a esterilização do material de trabalho. Desde o início as alunas aprendem a trabalhar com luvas de procedimento e técnicas “a seco”, para assim evitar a propagação de qualquer tipo de infecção ou contágio.

Materiais para as aulas

Para cada turma, as capacitadoras recebem os seguintes materiais:

• Ficha de presença: onde a capacitadora deve marcar diariamente a presença de cada aluna.

• Ficha de avaliação da turma: no último dia de aula, a capacitadora deve fazer uma avaliação geral do grupo atendido, das condições da sala em que foi ministrada a aula, da receptividade das alunas, das dificuldades encontradas e de outros itens.

• Fichas de avaliação da capacitadora: essas fichas são distribuídas, também no último dia de aula, pela responsável da entidade, sem a presença da capacitadora na sala. As alunas são solicitadas a preencher a ficha e, se desejado, a contribuir com sugestões e críticas.

• Tanto a ficha de avaliação da turma como as fichas de avaliação da capacitadora são analisadas posteriormente pela coordenadora do projeto e, se necessário, discutidas em reuniões de avaliação mensal com as capacitadoras, marcadas logo após a formação de cada turma.

• Luvas de procedimento: para uso nas aulas práticas. A nenhuma aluna é permitido trabalhar sem as luvas, independentemente do que for manusear.

• Sacos plásticos: para uso pelas alunas no aprendizado de pedicure “a seco”.

• Esterilizadores portáteis: utilizados para a esterilização de materiais cortantes e pontiagudos ao final de cada dia de aula prática.

Formatura

Ao final de cada curso, a aluna que completou as aulas de acordo com as regras preestabelecidas pela Mulher Apas recebe um certificado de conclusão e um kit contendo todo o material necessário para iniciar sua nova profissão sem ter de arcar com gastos iniciais.

Integram os kits os seguintes materiais:



Materiais do Kit

1 Alicate de cutículas afiado 1 Esmalte vermelho (ou similar)

1 Espátula de inox para cutículas 1 Óleo secante

1 Lixa de madeira para pés 1 Removedor de 100 ml

10 Lixa para unhas 1 Creme para mãos

1 Polidor 1 Creme para pés

2 Pau de laranjeira ou pau de laranjeira gorda 1 Desodorante

1 Base incolor para unhas 1 Caixa de algodão (25 g)

1 Creme para cutículas 1 Avental de trabalho logotipado

1 Esmalte cintilante 1 Toalhinha de mão

1 Esmalte claro (ou similar) 1 Necessaire

1 Esmalte rosa (ou similar)

Investimentos

Para a realização das duas fases do Projeto, a Mulher Apas investiu cerca de R$ 55 mil, além das contribuições e produtos oferecidos pelos parceiros.

Resultados

Até julho de 2006, o Projeto Mãos Feitas já havia formado aproximadamente 860 mulheres e esperava formar mais 140 até o final de agosto do mesmo ano.

Em vista do enorme sucesso do projeto, há inúmeras entidades aguardando cadastramento. Além disso, a Mulher Apas tem recebido, por parte dos responsáveis das entidades recebedoras do curso, relatos que dão conta do formidável sucesso verificado entre as mulheres atendidas, não só no que diz respeito à melhora de sua auto-estima, mas também a seu êxito como iniciantes na profissão de manicure, com muitas delas já saindo empregadas em salões da região, ou trabalhando em domicílio ou na própria residência, podendo sustentar-se com sua nova profissão.

Dica para replicação da prática

O Projeto Mãos Feitas está registrado em cartório, mas pode ser adotado por quantas empresas desejarem, desde que entrem em contato com a Mulher Apas e se disponham a seguir as orientações e a supervisão da entidade. Exige-se unicamente qualidade no treinamento – fator esse que norteia todos os projetos do órgão.

O projeto Mãos Feitas não tem um vínculo específico com o setor supermercadista, pois é dirigido a mulheres em situação de exclusão social. No entanto, ao possibilitar que essas mulheres gerem renda, ele acaba por alavancar a economia do entorno, beneficiando, a médio e longo prazos, toda a comunidade de uma região.
Cargo
Assistente da Diretoria
Data do cadastro
Nome
ROSE PAVAN
Número
245
Prática
CAPACITAÇÃO DE MULHERES DE COMUNIDADES DE BAIXA RENDA
Stakeholders
Status
Telefone
(11) 3647-5039