Descrição
CARREFOUR
Aula de Cidadania
Muitos funcionários, clientes e vizinhos encontraram uma oferta inesperada nos hipermercados e supermercados Carrefour: educação básica. Descobriram que o Grupo Carrefour ministra cursos de alfabetização, muitas vezes nas próprias lojas. Tomaram conhecimento disso dentro dos estabelecimentos da rede, ao escutar o locutor anunciar as aulas, ou foram informados por amigos e parentes que leram cartazes e banners espalhados pelas unidades da empresa.
Isso se dá porque o Grupo Carrefour acredita que, diante do grande desafio de incluir a população brasileira como um todo nos benefícios do desenvolvimento, cabe às empresas ir além da gestão responsável de seus negócios, por meio de investimentos voluntários em ações sociais que gerem impactos positivos nos índices de inclusão sustentável e nas políticas públicas para a melhoria da qualidade de vida.
O ponto de partida para as ações do Grupo Carrefour está nos próprios valores empresariais. Alicerçada em liberdade, responsabilidade, compartilhamento, respeito, integridade, solidariedade e progresso, a estratégia do investimento social do grupo é proativa, mas deriva do diálogo com a comunidade, em busca da melhor maneira de contribuir com interesses legítimos da sociedade.
Os eixos temáticos das atividades envolvem, além da oferta de alfabetização para jovens e adultos, educação supletiva e ações de mobilização social pelos direitos da cidadania – com calendário anual de eventos de saúde, apoio e fortalecimento de instituições de assistência social, valorização da diversidade, consumo consciente e educação ambiental.
Paralelamente aos investimentos em alfabetização, desde 2002 o Carrefour dirige esforços ao Programa Voluntário Carrefour, que anualmente mobiliza cerca de 1.300 funcionários dispostos a colaborar com instituições sociais das comunidades vizinhas às lojas. Para cada um que se interesse por uma ação social e para aqueles que espontaneamente já realizam esse trabalho, o Carrefour disponibiliza sua infra-estrutura e cede quatro horas de trabalho por mês para que atuem nas instituições de sua escolha. Anualmente, trabalham como voluntários, em média, 1.200 funcionários de lojas espalhadas por todo o país. No primeiro semestre de 2006, funcionários de 55 lojas atenderam a 36 instituições, em sua maioria creches para crianças carentes de 0 a 17 anos ou lares assistenciais para idosos.
Destaca-se, ainda, a campanha em torno do Dia Mundial do Meio Ambiente, realizada em todas as lojas de 30 de maio a 5 de junho, que é muito mais que tradição no Grupo Carrefour: trata-se de um compromisso de toda a organização. Alguns de seus objetivos são conscientizar crianças, jovens e adultos quanto à importância das questões ambientais, divulgar os problemas relacionados ao lixo, as possíveis soluções e apresentar alternativas de reciclagem. Para envolver clientes, comunidades, escolas e instituições da sociedade em uma grande ação nacional em defesa da natureza, diversas atividades são promovidas, como plantio de mudas e árvores, distribuição de sementes, realização de oficinas de reciclagem, exposições, palestras, espetáculos de teatro, de contadores de histórias e mostras de vídeos sobre cuidados com o meio ambiente, entre outras.
As lojas do Grupo também gozam de autonomia para promover ações sociais de acordo com as expectativas das comunidades vizinhas. Em 2005, mais de 152 mil pessoas – entre crianças, jovens, adultos e idosos – foram beneficiadas por ações diversas, desde campanhas de vacinação até visitas de funcionários voluntários a instituições locais.
Ademais, todos os anos desde 2003 o Grupo Carrefour publica o Relatório de Desenvolvimento Sustentável, que reporta seu desempenho quanto às suas responsabilidades econômicas, sociais e ambientais.
Programa Aula de Cidadania: educação indispensável
As estatísticas mostram que o analfabetismo no Brasil ainda atinge mais de 16 milhões de pessoas com idade acima de 15 anos, das quais 79% têm 35 anos ou mais, 65% vivem nas zonas urbanas, 52% são mulheres e 67%, pessoas negras ou pardas, segundo o PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 20032.
Os reflexos dessa realidade podiam ser notados dentro do próprio Grupo Carrefour, que detectou analfabetismo entre seus funcionários e fornecedores de serviços. Presente com suas lojas em diversas partes do país, em contato direto com as comunidades vizinhas, é natural que o Grupo tenha direcionado seus esforços para a criação do Programa Educacional Carrefour, que existe desde 2002 e atualmente se chama Aula de Cidadania.
O objetivo do Programa Aula de Cidadania é proporcionar aos colaboradores e à comunidade o acesso à educação e contribuir, assim, para o seu desenvolvimento e o resgate da auto-estima, bem como para a melhoria na prestação dos serviços, resultando na maior satisfação dos clientes das lojas.
O Grupo Carrefour começou a desenvolver esforços pela alfabetização em 2002, ao oferecer cursos a seus funcionários em São Paulo. No ano seguinte, a iniciativa passou a abranger também a alfabetização de clientes e pessoas de comunidades próximas. Em 2004, a oferta foi ampliada para 22 salas de alfabetização, montadas em lojas de sete estados brasileiros, buscando atender a funcionários e clientes.
As lojas investem também na formação e contratação de professores e na aquisição de materiais didáticos. Com esses esforços, o número de alunos cresceu e o projeto se consolidou. Em cinco anos o total de investimentos alcançou R$ 1,3 milhão.
Parceiros e modo de atuação
Desde 2002, quando funcionários de sete lojas paulistas completaram a quarta série do Ensino Fundamental freqüentando as aulas ministradas nas próprias unidades do Carrefour, com a coordenação pedagógica do Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (Mova), esse verdadeiro mutirão educativo vem ganhando força e reconhecimento. Como resultado, passou a envolver o Ministério da Educação (MEC) e a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) – por meio do Programa Brasil Alfabetizado –, além de duas entidades da sociedade civil voltadas à educação: o Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee) e a Confederação das Mulheres do Brasil (CMB) (abril de 2003).
Entre os professores iniciais estavam estagiários e jovens que acabavam de terminar o Ensino Médio e que encontraram nessa oportunidade a chance de obter o primeiro emprego.
Em parceria com a CMB, as aulas foram ministradas três vezes por semana, durante seis meses, nas comunidades em que vive seu principal público-alvo – as mulheres –, com salas montadas em igrejas, escolas públicas, centros comunitários, postos de saúde e lojas Carrefour. Assim, evitavam-se deslocamentos, pois a maioria das mulheres, mães de filhos pequenos, não podia permanecer longos períodos fora de casa.
Nessa parceria, o MEC repassou recursos para a CMB pagar os professores, e a entidade gerenciou e acompanhou o trabalho nas salas de aula – em São Paulo, no Rio de Janeiro, a Minas Gerais e no Paraná. Por sua vez, o Grupo Carrefour patrocinou a coordenação do programa, a elaboração das cartilhas, parte da formação dos professores e a divulgação dos cursos.
Na parceria com o Ciee, firmada em 31 de agosto de 2004, o programa foi estruturado em módulos de seis a 12 meses. Esses módulos abrangeram aulas de português, leitura, história, ciências e matemática – conteúdo equivalente aos quatro primeiros anos do Ensino Fundamental. Os professores foram treinados e supervisionados pelo Ciee e pela CMB, instituições que operam programas de alfabetização independentes, embora seu objetivo e sistemática sejam semelhantes. Ao final do semestre, os alunos do Ciee participaram de um teste oficial de supletivo de primeira a quarta séries. Os aprovados puderam continuar os estudos em escolas da rede pública.
A supervisão do programa e a contratação dos professores ficaram a cargo do Ciee, que também se responsabilizou pelo material pedagógico dos docentes e pela metodologia de ensino. O Carrefour financiou a bolsa dos professores-estagiários – em geral, estudantes dos cursos de letras e pedagogia – e o material escolar para os alunos, providenciou as salas de aula e refeições diárias e assumiu o compromisso de adaptar o horário das aulas ao turno dos colaboradores, para que pudessem freqüentá-las no período em que se encontravam nas lojas. Para o Carrefour esse é um projeto duplamente social, pois ajuda não apenas aqueles que precisam voltar a estudar, mas também os professores, que precisam custear seus cursos superiores.
Em 2005, o Carrefour iniciou parceria com a Alfasol-Alfabetização Solidária e adotou os municípios de Bayeux e Cabedelo, na Paraíba, e Maracanaú e Caucaia, no Ceará.
O Carrefour também estava disposto a adotar o município de Aparecida de Goiânia, Goiás, conforme proposta da Alfasol. No entanto, a instituição encontrou dificuldades diante da Secretaria Municipal de Educação, o que resultou na suspensão do processo. Por outro lado, no município de Caucaia, Ceará, em lugar das 15 salas inicialmente sugeridas, a grande quantidade de alunos interessados levou à formação de 50 salas.
Além da implantação do projeto nas cidades citadas, foram instaladas salas de aula em 25 lojas e instituições sociais pelo Brasil, nas seguintes localidades: Pinhais e Parolin, em Curitiba (PR); Taguatinga, Ceilândia e Samambaia, em Brasília (DF); São José do Rio Preto, e Campinas (SP); Vila-Lobos, Diadema, Natal, São Vicente, Butantã, Interlagos, Limão, Raposo Tavares, Tatuapé, São Bernardo e Boa Viagem, em São Paulo (SP).
Resultados do programa
Quando o investimento social estratégico impacta efetivamente a população beneficiária, traz inúmeros benefícios para a organização: agrega valor à reputação institucional, motiva o público interno e desenvolve vínculos duradouros da companhia com a comunidade.
Esse tipo de parceria ajuda a vencer o grande desafio empresarial de superar a visão de que qualificação profissional restringe-se a “treinar” funcionários. Estudos no mundo inteiro têm demonstrado fartamente a relação direta entre o nível educacional dos trabalhadores e sua capacidade de se adaptar às mudanças tecnológicas e econômicas, com evidente benefício para as duas partes.
Além disso, o acesso ao ensino fundamental está listado como um dos oito objetivos do milênio, compromisso mundial capitaneado pela Organização das Nações Unidas para melhorar a qualidade de vida no mundo. O Carrefour está comprometido, em seus negócios em todo o mundo, com o alcance dessas metas.
De acordo com o relatório publicado pela Alfasol, em 1991, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M)3 do Brasil era 0,696. Em 2000, ele aumentou para 0,766. Esse progresso foi liderado pela melhoria nos indicadores educacionais.
O impacto da melhoria da educação na população também pode ser vislumbrado em outras áreas. Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, no Brasil, que analisou dados de 1990 a 2002, apontou que a alfabetização feminina é o principal fator de proteção contra a mortalidade infantil. O estudo, baseado em dados do IBGE, mostra que, ao se reduzir a taxa de analfabetismo em 10%, a mortalidade infantil diminui em até 16,8%.
Impactos nos alunos
Os mais importantes estão relacionados ao próprio processo de aprendizagem, à independência conquistada, à auto-estima, ao perfil profissional e à valorização da educação. Em relação às atividades cotidianas, os principais efeitos observados referem-se à facilitação de tarefas como andar de ônibus, viajar, andar na cidade, ler nomes de ruas, letreiros, placas e cartazes, pagar/receber/conferir troco e comprar/vender mercadorias. Os alunos passaram a desempenhar atividades intelectuais como ler, estudar e escrever. Todos se sentem mais capazes para os negócios, o trabalho e o convívio social. É importante destacar que 99% apontaram que estudar faz a diferença na vida das pessoas; 78% consideraram que a vida mudou depois de aprenderem a ler e 28% constataram aumento de prestígio e autoridade no meio familiar.
No caso do programa Aula de Cidadania, que alfabetizou mais de 4.200 mil alunos em quatro anos, percebe-se que houve um ganho para o funcionário, que, ao estudar, qualifica-se e pode crescer dentro e fora da empresa; para os moradores da comunidade (consumidores do Carrefour), tanto os que se engajam nas aulas quanto aqueles que indicam a oportunidade para um amigo ou vizinho; para as organizações sociais e o governo, que encontram na iniciativa privada um parceiro para seus objetivos; e, sobretudo, para o Carrefour, que além de melhorar a qualificação e incentivar seus funcionários, conquista o reconhecimento dos consumidores e melhora o seu relacionamento com as comunidades do entorno das lojas.
O Grupo Carrefour propôs uma ampliação do Programa Aula de Cidadania a partir do segundo semestre de 2006, com investimentos totalizando R$ 520 mil no ensino médio supletivo (em parceria com o Ciee) para jovens e adultos formados nas aulas de alfabetização do programa.
Aula de Cidadania: sugestões para multiplicação
Entre as condições ideais para a implementação desse projeto por outras empresas, o Grupo Carrefour sugere as seguintes: apoiar-se em instituições parceiras com notória habilidade nesse trabalho e manter, internamente, uma equipe dedicada ao estudo e à gestão dessa parceria, a exemplo da Gerência de Responsabilidade Social Corporativa existente no Carrefour. Com percepção aguçada para as expectativas das comunidades, as empresas podem ser grandes aliadas do governo e das instituições sociais na identificação de demandas por educação.
Além da continuação deste programa, o Carrefour está desenvolvendo ou planejando os seguintes projetos:
• Fornecedores do Saber: o Grupo Carrefour também incentiva os fornecedores a implementar programas de alfabetização e de estímulo à leitura e à escrita para os funcionários e seus familiares. Nesse projeto, denominado Fornecedores do Saber, a empresa, em parceria com o Ministério da Educação, é responsável pela capacitação dos alfabetizadores, objetivando ampliar a criação de cursos de alfabetização em todo o país. Entre as iniciativas iniciais do Fornecedores do Saber está o site www.fornecedoresdosaber.com.br, criado pelo Carrefour para que seus parceiros se cadastrem e relatem ações educacionais realizadas para a comunidade. Além disso, foram promovidos dois encontros com fornecedores, em agosto de 2005, no Instituto de Formação Carrefour, para uma reflexão sobre a educação nas comunidades e a responsabilidade social das empresas;
• Fortalecimento da educação de jovens e adultos: o combate ao analfabetismo funcional está diretamente ligado ao acesso e à permanência do jovem e do adulto na escola. A qualificação de professores é uma das condições para vencer esse desafio. O Programa Fortalecendo a Educação de Jovens e Adultos – EJA age nessa direção e busca ampliar a oferta de vagas nas modalidades do ensino público para jovens e adultos;
• Projeto Ver: em pesquisa (de janeiro a julho de 2003) realizada entre os atendidos pela Alfasol, constatou-se que a baixa acuidade visual dos alunos é um dos principais fatores de evasão escolar, correspondendo a 24,3% do total de evasões. Alguns fatores são determinantes para a construção dessa problemática: dificuldade de acesso à saúde pública; ausência de recursos para adquirir óculos; idade avançada de diversos alunos; longa jornada diária de trabalhos, insalubres em muitos casos. A implementação desse projeto busca ajudar a reduzir a dificuldade dos alunos no processo de aprendizagem, diminuir o índice de evasão e melhorar a qualidade de vida.
Aula de Cidadania
Muitos funcionários, clientes e vizinhos encontraram uma oferta inesperada nos hipermercados e supermercados Carrefour: educação básica. Descobriram que o Grupo Carrefour ministra cursos de alfabetização, muitas vezes nas próprias lojas. Tomaram conhecimento disso dentro dos estabelecimentos da rede, ao escutar o locutor anunciar as aulas, ou foram informados por amigos e parentes que leram cartazes e banners espalhados pelas unidades da empresa.
Isso se dá porque o Grupo Carrefour acredita que, diante do grande desafio de incluir a população brasileira como um todo nos benefícios do desenvolvimento, cabe às empresas ir além da gestão responsável de seus negócios, por meio de investimentos voluntários em ações sociais que gerem impactos positivos nos índices de inclusão sustentável e nas políticas públicas para a melhoria da qualidade de vida.
O ponto de partida para as ações do Grupo Carrefour está nos próprios valores empresariais. Alicerçada em liberdade, responsabilidade, compartilhamento, respeito, integridade, solidariedade e progresso, a estratégia do investimento social do grupo é proativa, mas deriva do diálogo com a comunidade, em busca da melhor maneira de contribuir com interesses legítimos da sociedade.
Os eixos temáticos das atividades envolvem, além da oferta de alfabetização para jovens e adultos, educação supletiva e ações de mobilização social pelos direitos da cidadania – com calendário anual de eventos de saúde, apoio e fortalecimento de instituições de assistência social, valorização da diversidade, consumo consciente e educação ambiental.
Paralelamente aos investimentos em alfabetização, desde 2002 o Carrefour dirige esforços ao Programa Voluntário Carrefour, que anualmente mobiliza cerca de 1.300 funcionários dispostos a colaborar com instituições sociais das comunidades vizinhas às lojas. Para cada um que se interesse por uma ação social e para aqueles que espontaneamente já realizam esse trabalho, o Carrefour disponibiliza sua infra-estrutura e cede quatro horas de trabalho por mês para que atuem nas instituições de sua escolha. Anualmente, trabalham como voluntários, em média, 1.200 funcionários de lojas espalhadas por todo o país. No primeiro semestre de 2006, funcionários de 55 lojas atenderam a 36 instituições, em sua maioria creches para crianças carentes de 0 a 17 anos ou lares assistenciais para idosos.
Destaca-se, ainda, a campanha em torno do Dia Mundial do Meio Ambiente, realizada em todas as lojas de 30 de maio a 5 de junho, que é muito mais que tradição no Grupo Carrefour: trata-se de um compromisso de toda a organização. Alguns de seus objetivos são conscientizar crianças, jovens e adultos quanto à importância das questões ambientais, divulgar os problemas relacionados ao lixo, as possíveis soluções e apresentar alternativas de reciclagem. Para envolver clientes, comunidades, escolas e instituições da sociedade em uma grande ação nacional em defesa da natureza, diversas atividades são promovidas, como plantio de mudas e árvores, distribuição de sementes, realização de oficinas de reciclagem, exposições, palestras, espetáculos de teatro, de contadores de histórias e mostras de vídeos sobre cuidados com o meio ambiente, entre outras.
As lojas do Grupo também gozam de autonomia para promover ações sociais de acordo com as expectativas das comunidades vizinhas. Em 2005, mais de 152 mil pessoas – entre crianças, jovens, adultos e idosos – foram beneficiadas por ações diversas, desde campanhas de vacinação até visitas de funcionários voluntários a instituições locais.
Ademais, todos os anos desde 2003 o Grupo Carrefour publica o Relatório de Desenvolvimento Sustentável, que reporta seu desempenho quanto às suas responsabilidades econômicas, sociais e ambientais.
Programa Aula de Cidadania: educação indispensável
As estatísticas mostram que o analfabetismo no Brasil ainda atinge mais de 16 milhões de pessoas com idade acima de 15 anos, das quais 79% têm 35 anos ou mais, 65% vivem nas zonas urbanas, 52% são mulheres e 67%, pessoas negras ou pardas, segundo o PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 20032.
Os reflexos dessa realidade podiam ser notados dentro do próprio Grupo Carrefour, que detectou analfabetismo entre seus funcionários e fornecedores de serviços. Presente com suas lojas em diversas partes do país, em contato direto com as comunidades vizinhas, é natural que o Grupo tenha direcionado seus esforços para a criação do Programa Educacional Carrefour, que existe desde 2002 e atualmente se chama Aula de Cidadania.
O objetivo do Programa Aula de Cidadania é proporcionar aos colaboradores e à comunidade o acesso à educação e contribuir, assim, para o seu desenvolvimento e o resgate da auto-estima, bem como para a melhoria na prestação dos serviços, resultando na maior satisfação dos clientes das lojas.
O Grupo Carrefour começou a desenvolver esforços pela alfabetização em 2002, ao oferecer cursos a seus funcionários em São Paulo. No ano seguinte, a iniciativa passou a abranger também a alfabetização de clientes e pessoas de comunidades próximas. Em 2004, a oferta foi ampliada para 22 salas de alfabetização, montadas em lojas de sete estados brasileiros, buscando atender a funcionários e clientes.
As lojas investem também na formação e contratação de professores e na aquisição de materiais didáticos. Com esses esforços, o número de alunos cresceu e o projeto se consolidou. Em cinco anos o total de investimentos alcançou R$ 1,3 milhão.
Parceiros e modo de atuação
Desde 2002, quando funcionários de sete lojas paulistas completaram a quarta série do Ensino Fundamental freqüentando as aulas ministradas nas próprias unidades do Carrefour, com a coordenação pedagógica do Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (Mova), esse verdadeiro mutirão educativo vem ganhando força e reconhecimento. Como resultado, passou a envolver o Ministério da Educação (MEC) e a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) – por meio do Programa Brasil Alfabetizado –, além de duas entidades da sociedade civil voltadas à educação: o Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee) e a Confederação das Mulheres do Brasil (CMB) (abril de 2003).
Entre os professores iniciais estavam estagiários e jovens que acabavam de terminar o Ensino Médio e que encontraram nessa oportunidade a chance de obter o primeiro emprego.
Em parceria com a CMB, as aulas foram ministradas três vezes por semana, durante seis meses, nas comunidades em que vive seu principal público-alvo – as mulheres –, com salas montadas em igrejas, escolas públicas, centros comunitários, postos de saúde e lojas Carrefour. Assim, evitavam-se deslocamentos, pois a maioria das mulheres, mães de filhos pequenos, não podia permanecer longos períodos fora de casa.
Nessa parceria, o MEC repassou recursos para a CMB pagar os professores, e a entidade gerenciou e acompanhou o trabalho nas salas de aula – em São Paulo, no Rio de Janeiro, a Minas Gerais e no Paraná. Por sua vez, o Grupo Carrefour patrocinou a coordenação do programa, a elaboração das cartilhas, parte da formação dos professores e a divulgação dos cursos.
Na parceria com o Ciee, firmada em 31 de agosto de 2004, o programa foi estruturado em módulos de seis a 12 meses. Esses módulos abrangeram aulas de português, leitura, história, ciências e matemática – conteúdo equivalente aos quatro primeiros anos do Ensino Fundamental. Os professores foram treinados e supervisionados pelo Ciee e pela CMB, instituições que operam programas de alfabetização independentes, embora seu objetivo e sistemática sejam semelhantes. Ao final do semestre, os alunos do Ciee participaram de um teste oficial de supletivo de primeira a quarta séries. Os aprovados puderam continuar os estudos em escolas da rede pública.
A supervisão do programa e a contratação dos professores ficaram a cargo do Ciee, que também se responsabilizou pelo material pedagógico dos docentes e pela metodologia de ensino. O Carrefour financiou a bolsa dos professores-estagiários – em geral, estudantes dos cursos de letras e pedagogia – e o material escolar para os alunos, providenciou as salas de aula e refeições diárias e assumiu o compromisso de adaptar o horário das aulas ao turno dos colaboradores, para que pudessem freqüentá-las no período em que se encontravam nas lojas. Para o Carrefour esse é um projeto duplamente social, pois ajuda não apenas aqueles que precisam voltar a estudar, mas também os professores, que precisam custear seus cursos superiores.
Em 2005, o Carrefour iniciou parceria com a Alfasol-Alfabetização Solidária e adotou os municípios de Bayeux e Cabedelo, na Paraíba, e Maracanaú e Caucaia, no Ceará.
O Carrefour também estava disposto a adotar o município de Aparecida de Goiânia, Goiás, conforme proposta da Alfasol. No entanto, a instituição encontrou dificuldades diante da Secretaria Municipal de Educação, o que resultou na suspensão do processo. Por outro lado, no município de Caucaia, Ceará, em lugar das 15 salas inicialmente sugeridas, a grande quantidade de alunos interessados levou à formação de 50 salas.
Além da implantação do projeto nas cidades citadas, foram instaladas salas de aula em 25 lojas e instituições sociais pelo Brasil, nas seguintes localidades: Pinhais e Parolin, em Curitiba (PR); Taguatinga, Ceilândia e Samambaia, em Brasília (DF); São José do Rio Preto, e Campinas (SP); Vila-Lobos, Diadema, Natal, São Vicente, Butantã, Interlagos, Limão, Raposo Tavares, Tatuapé, São Bernardo e Boa Viagem, em São Paulo (SP).
Resultados do programa
Quando o investimento social estratégico impacta efetivamente a população beneficiária, traz inúmeros benefícios para a organização: agrega valor à reputação institucional, motiva o público interno e desenvolve vínculos duradouros da companhia com a comunidade.
Esse tipo de parceria ajuda a vencer o grande desafio empresarial de superar a visão de que qualificação profissional restringe-se a “treinar” funcionários. Estudos no mundo inteiro têm demonstrado fartamente a relação direta entre o nível educacional dos trabalhadores e sua capacidade de se adaptar às mudanças tecnológicas e econômicas, com evidente benefício para as duas partes.
Além disso, o acesso ao ensino fundamental está listado como um dos oito objetivos do milênio, compromisso mundial capitaneado pela Organização das Nações Unidas para melhorar a qualidade de vida no mundo. O Carrefour está comprometido, em seus negócios em todo o mundo, com o alcance dessas metas.
De acordo com o relatório publicado pela Alfasol, em 1991, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M)3 do Brasil era 0,696. Em 2000, ele aumentou para 0,766. Esse progresso foi liderado pela melhoria nos indicadores educacionais.
O impacto da melhoria da educação na população também pode ser vislumbrado em outras áreas. Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, no Brasil, que analisou dados de 1990 a 2002, apontou que a alfabetização feminina é o principal fator de proteção contra a mortalidade infantil. O estudo, baseado em dados do IBGE, mostra que, ao se reduzir a taxa de analfabetismo em 10%, a mortalidade infantil diminui em até 16,8%.
Impactos nos alunos
Os mais importantes estão relacionados ao próprio processo de aprendizagem, à independência conquistada, à auto-estima, ao perfil profissional e à valorização da educação. Em relação às atividades cotidianas, os principais efeitos observados referem-se à facilitação de tarefas como andar de ônibus, viajar, andar na cidade, ler nomes de ruas, letreiros, placas e cartazes, pagar/receber/conferir troco e comprar/vender mercadorias. Os alunos passaram a desempenhar atividades intelectuais como ler, estudar e escrever. Todos se sentem mais capazes para os negócios, o trabalho e o convívio social. É importante destacar que 99% apontaram que estudar faz a diferença na vida das pessoas; 78% consideraram que a vida mudou depois de aprenderem a ler e 28% constataram aumento de prestígio e autoridade no meio familiar.
No caso do programa Aula de Cidadania, que alfabetizou mais de 4.200 mil alunos em quatro anos, percebe-se que houve um ganho para o funcionário, que, ao estudar, qualifica-se e pode crescer dentro e fora da empresa; para os moradores da comunidade (consumidores do Carrefour), tanto os que se engajam nas aulas quanto aqueles que indicam a oportunidade para um amigo ou vizinho; para as organizações sociais e o governo, que encontram na iniciativa privada um parceiro para seus objetivos; e, sobretudo, para o Carrefour, que além de melhorar a qualificação e incentivar seus funcionários, conquista o reconhecimento dos consumidores e melhora o seu relacionamento com as comunidades do entorno das lojas.
O Grupo Carrefour propôs uma ampliação do Programa Aula de Cidadania a partir do segundo semestre de 2006, com investimentos totalizando R$ 520 mil no ensino médio supletivo (em parceria com o Ciee) para jovens e adultos formados nas aulas de alfabetização do programa.
Aula de Cidadania: sugestões para multiplicação
Entre as condições ideais para a implementação desse projeto por outras empresas, o Grupo Carrefour sugere as seguintes: apoiar-se em instituições parceiras com notória habilidade nesse trabalho e manter, internamente, uma equipe dedicada ao estudo e à gestão dessa parceria, a exemplo da Gerência de Responsabilidade Social Corporativa existente no Carrefour. Com percepção aguçada para as expectativas das comunidades, as empresas podem ser grandes aliadas do governo e das instituições sociais na identificação de demandas por educação.
Além da continuação deste programa, o Carrefour está desenvolvendo ou planejando os seguintes projetos:
• Fornecedores do Saber: o Grupo Carrefour também incentiva os fornecedores a implementar programas de alfabetização e de estímulo à leitura e à escrita para os funcionários e seus familiares. Nesse projeto, denominado Fornecedores do Saber, a empresa, em parceria com o Ministério da Educação, é responsável pela capacitação dos alfabetizadores, objetivando ampliar a criação de cursos de alfabetização em todo o país. Entre as iniciativas iniciais do Fornecedores do Saber está o site www.fornecedoresdosaber.com.br, criado pelo Carrefour para que seus parceiros se cadastrem e relatem ações educacionais realizadas para a comunidade. Além disso, foram promovidos dois encontros com fornecedores, em agosto de 2005, no Instituto de Formação Carrefour, para uma reflexão sobre a educação nas comunidades e a responsabilidade social das empresas;
• Fortalecimento da educação de jovens e adultos: o combate ao analfabetismo funcional está diretamente ligado ao acesso e à permanência do jovem e do adulto na escola. A qualificação de professores é uma das condições para vencer esse desafio. O Programa Fortalecendo a Educação de Jovens e Adultos – EJA age nessa direção e busca ampliar a oferta de vagas nas modalidades do ensino público para jovens e adultos;
• Projeto Ver: em pesquisa (de janeiro a julho de 2003) realizada entre os atendidos pela Alfasol, constatou-se que a baixa acuidade visual dos alunos é um dos principais fatores de evasão escolar, correspondendo a 24,3% do total de evasões. Alguns fatores são determinantes para a construção dessa problemática: dificuldade de acesso à saúde pública; ausência de recursos para adquirir óculos; idade avançada de diversos alunos; longa jornada diária de trabalhos, insalubres em muitos casos. A implementação desse projeto busca ajudar a reduzir a dificuldade dos alunos no processo de aprendizagem, diminuir o índice de evasão e melhorar a qualidade de vida.
Cargo
Gerente de Responsabilidade Social
Data do cadastro
Focos de Atuação
Instituição
Nome
NEIDE ROCHA SENCOVICI
Número
241
Prática
ALAFABETIZAÇÃO DOS COLABORADORES E DA COMUNIDADE
Stakeholders
Status
Telefone
(11) 5181-6010