Economia

Ao avaliarem a probabilidade de cenários econômicos se materializarem, os entrevistados têm menos certeza do que irá acontecer.  

 

Parece que os respondentes ficaram “em cima do muro” com relação a essas questões ou que já estejam “escaldados” no que se refere às previsões econômicas. De fato, como sempre, há poucas certezas quanto ao ambiente econômico e as apostas são conservadoras.

A probabilidade de o desemprego diminuir está no limite do que definimos como média (40,1%) e a probabilidade da renda aumentar (31,9%) é tida como baixa pelos entrevistados.

Em relação à recuperação pós-pandemia há um relativo otimismo, já que chance de isso acontecer de forma demorada é tida como baixa (31,9%).

Finalizando as impressões sobre o ambiente econômico, os varejistas têm mais certeza acerca dos investimentos de risco ficarem mais atraentes (65,9% de chance). Isso se explica pelo fato de as taxas de juros reais estarem cada vez mais baixas, inclusive na percepção dos entrevistados.

Sociedade

Se em relação ao ambiente econômico há muitas dúvidas, no que se refere às transformações na sociedade e na cultura há muito mais certezas. Os varejistas entrevistados apostaram que há probabilidade alta (todas acima de 65%) de acontecer tudo os que lhes foi apresentado.

Em termos demográficos, o já bastante discutido envelhecimento da população gerará necessidade de modificações significativas nos produtos, na comunicação e nas lojas como um todo (74,9% de chance). Há que se adaptar a esse cliente mais maduro.

No que se refere ao tipo de consumo, pensam que os clientes valorização gastar seu dinheiro com experiências, em detrimento às compras de itens de luxo (68,7 % de chance). Acham também que os consumidores valorizarão a rastreabilidade dos produtos, permitindo que saibam onde, como e quando os produtos foram produzidos (65,8%).

Como herança da pandemia, acreditam que preocupação com higiene e contaminação veio para ficar e isso vai impactar a maneira como os negócios são conduzidos (75,1%). Pensam também que o home office veio para ficar e muitas empresas e pessoas não retornarão aos escritórios (69,8% de chance), ponto este reforçado pela reconfiguração da vocação de áreas comerciais que trataremos mais à frente.

Maurício Morgado (FGVcev)

Doutor em Administração de Empresas pela EAESP/FGV, Mestre em Administração de Empresas pela FEA-USP e Graduado em Administração de Empresas pela FEA-USP. É sócio da Morgado & Vitelli Consultoria, professor da FGV-EAESP, coordenador do FGVcev – Centro de Excelência em Varejo da FGV-EAESP e atua nas áreas de consultoria em marketing, atendimento a clientes, visual merchandising, tendências de varejo e treinamento em marketing e varejo. Foi autor e co-organizador do livro “Varejo – Administração de Empresas Comerciais” da Editora SENAC (1997), autor da dissertação “Internet como mídia de marketing direto no Brasil” (1998) e da tese “Comportamento do consumidor online: perfil, atitudes e uso da Internet” (2003).

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