O FUTURO DO VAREJO NA VISÃO DE QUEM FAZ

Maurício Morgado, FGVcev

 

A pesquisa “O Futuro do Varejo na Visão de Quem Faz” foi desenvolvida pelo FGVcev – Centro de Excelência em Varejo da FGV EAESP, em parceria com a Gouvêa Experience, com o objetivo de compreender a visão dos varejistas sobre as tendências do setor e seus reflexos no ambiente de negócios.

Motivados por esses questionamentos, resolvemos pesquisar diretamente na fonte: entrevistamos 592 dirigentes varejistas, no período de 26 de agosto até 8 de setembro de 2020.

Para que você possa explorar todos os aprendizados da nossa pesquisa, vamos compartilhar os resultados em quatro Pensatas diferentes. Esta é a primeira delas, onde trataremos do Ambiente de Negócios do Varejo, em especial do Ambiente Político e Legal.

AMBIENTE DE NEGÓCIOS

O futuro do varejo será determinado por um conjunto de fatores composto pelos ambientes político e legal, econômico, social, tecnológico e pelo ambiente de negócios do varejo em si. Após um brainstorming com 5 especialistas em varejo, listamos os principais movimentos detectados por eles e verificamos a probabilidade de isso tudo acontecer na visão de 91 fundadores, 44 presidentes, 149 diretores, 159 gerentes e supervisores e 44 executivos de outros níveis nas empresas de varejo. Cada um dos respondentes apontou, numa escala de 0 a 100% qual seria a chance daquela tendência acontecer, de fato, nos próximos 3 anos.

Para analisar os dados, adotamos como parâmetro os seguintes critérios:

  •     Probabilidade alta: mais de 65%
  •     Probabilidade média: entre 40 e 64%
  •     Probabilidade baixa: abaixo de 40%

Verificamos também a percepção desses varejistas quanto à evolução dos níveis de competitividade, rentabilidade, internacionalização, concentração e até o que pensam sobre quem vai ganhar as próximas eleições.

AMBIENTE POTÍTICO E LEGAL

 

Em relação às reformas comandadas pelos políticos, os entrevistados acreditam que há baixa probabilidade de a reforma administrativa acontecer (36,7%). Já a reforma tributária, encaram como mais provável (45,2% de chance). 

Do ponto de vista da política nacional, os entrevistados consideram alta (67,2%) a probabilidade de se manter a polarização política, com 1/3 do eleitorado apoiando o centro, 1/3 apoiando a direita e mais 1/3 apoiando a esquerda. Acreditam também que os eleitores buscarão a renovação do quadro político nas próximas eleições (61,9% de chance). Os varejistas da amostra acreditam que as próximas eleições serão ganhas ou pela direita (52,9%) ou pelo centro (39,9%). Somente 7,1% deles acreditam que a esquerda ganhará as próximas eleições.

Mudanças na legislação nacional são vistas como bastante impactantes na atividade varejista como um todo. O Open Banking é visto com probabilidade alta de trazer mais concorrência ao sistema financeiro (74,3% de chance), assim como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) em impactar a forma como as empresas lidam com os dados de seus clientes (72,3% de chance).

Maurício Morgado (FGVcev)

Doutor em Administração de Empresas pela EAESP/FGV, Mestre em Administração de Empresas pela FEA-USP e Graduado em Administração de Empresas pela FEA-USP. É sócio da Morgado & Vitelli Consultoria, professor da FGV-EAESP, coordenador do FGVcev – Centro de Excelência em Varejo da FGV-EAESP e atua nas áreas de consultoria em marketing, atendimento a clientes, visual merchandising, tendências de varejo e treinamento em marketing e varejo. Foi autor e co-organizador do livro “Varejo – Administração de Empresas Comerciais” da Editora SENAC (1997), autor da dissertação “Internet como mídia de marketing direto no Brasil” (1998) e da tese “Comportamento do consumidor online: perfil, atitudes e uso da Internet” (2003).

 mauricio.morgado@fgv.br | cev.fgv.br

 

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