Lojas Avenida: o grupo que cresce na contramão do varejo

Lojas Avenida: o grupo que cresce na contramão do varejo

Rede que começou em Cuiabá e faturou mais de R$ 1 bilhão no ano passado passa por momento de inflexão

Por Mariana Amaro

As Lojas Avenida, rede de roupas e produtos para casa popular no Centro-Oeste, desembarcou em São Paulo em 2023 com um propósito: estar mais perto do escritório e servir quase como um mostruário para os produtores que vendem suas peças por lá. “Nossa loja mais próxima ficava no Espírito Santo”, explica Rodrigo Caseli, CEO da empresa, em entrevista ao podcast Do Zero ao Topo. O estado paulista, contudo, não está nos planos de expansão mais imediatos da empresa, que tem a meta de chegar a mil lojas físicas nos próximos anos.

Toda essa estratégia de crescimento começou a ser desenhada há muitos anos, quando Caseli assumiu a companhia das mãos do pai, Ailton, o fundador da rede, quase ‘no susto’. “Em 2007 e 2008 alavancarmos muito a companhia para crescer e abrir mais loja. E em 2009 começamos o ano com uma crise forte”, relembra o executivo. Naquela ocasião, assim como agora, os bancos travaram as operações para varejistas e a rede ficou estrangulada com dívidas que haviam sido contraídas nos anos anteriores. “Naquele mesmo ano, minha avó faleceu e meu pai passou por uma separação. Ele estava em um momento difícil da vida. Eu era o diretor financeiro e sabia muito bem o que estava por vir. Meu pai me chamou e falou que estava em um momento muito difícil, me entregou uma procuração e falou ‘você vai tocar a empresa’”, afirma ao podcast.

Olhando para a oportunidade de crescimento, Rodrigo fez uma gestão de crise e, em seis meses, fechou algumas lojas deficitárias. Depois de oito meses, a companhia estava adimplente com todo mundo e seu pai retornou. “Tirei a procuração da gaveta e disse: essa procuração é a chave da companhia. ‘Você me deu essa chave quando estava fragilizado, então estou te devolvendo’. E rasguei. Disse: se você realmente me quer nessa posição me dá mais um tempo que eu preciso me preparar. Preciso de você e preciso de ajuda”, afirma. Seu pai concordou e a sucessão levou mais um ano para ser concluída.

Quando Rodrigo assumiu a principal cadeira executiva, a empresa tinha 69 lojas e faturava algo em torno de R$ 200 milhões de reais. O executivo trouxe seu irmão mais velho para a presidência do conselho, profissionalizou a governança da companhia, atraiu o Kinea para fazer um investimento e entrou na rota para um IPO. Os planos mudaram em 2021 quando a varejista recebeu uma oferta do gigante de varejo da África do Sul Pepkor. No ano passado, a empresa mudou seu modelo de negócios, eliminando as áreas de venda de aparelhos celulares dentro das lojas, reviu seu parque e encerrou a operação online, que gerava prejuízo.

Com foco 100% no varejo físico, o Rodrigo Caseli contou a história de sucesso que começou com uma loja de 50 metros quadrados no centro de Cuiabá chamada inicialmente de Maracanã dos Tecidos e, depois, de Tecelagem Avenida, antes de ganhar o nome e a marca atuais. Ele é o convidado do episódio de hoje (11) do Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube.  O programa também está disponível nas principais plataformas de streaming como ApplePodcasts, Spotify, Deezer, Spreaker, Google Podcast, Castbox e Amazon Music.

 

Fonte: InfoMoney
Imagem: Canva

 

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