Fenômeno da pandemia, dark store é mais barata do que loja aberta ao público

Fenômeno da pandemia, dark store é mais barata do que loja aberta ao público

A dark store funciona como uma loja sem atendimento presencial. Para ser mais preciso, é como se fosse um centro de distribuição: quando o pedido chega (pelo e-commerce ou por outros canais de atendimento), a loja é a responsável pela separação e entrega dos produtos comprados. Não é um local em que o cliente pode fazer uma compra presencial – pode, no máximo, ir retirar o pedido, para economizar com o frete.

O modelo existe tanto em redes varejistas tradicionais, como Marisa, que pretende abrir 10 dark stores até o final do primeiro semestre, como dentro do sistema de franchising, caso do Dark Içougue.

O Dark Içougue começou em 2017 com a venda de carnes para empresas, mas teve que mudar a atuação por causa da pandemia – com as medidas impostas para conter a covid, o faturamento da empresa caiu 95%. O CEO da empresa, Tiago Albino, uniu a experiência de mercado com a necessidade e começou a vender dark stores há cerca de um ano.

Hoje, a empresa tem 20 unidades, distribuídas em São Paulo e no Rio de Janeiro, e expectativa é de que, até o final do ano, chegue a 50.

“As dark stores foram mais um fenômeno da pandemia. Vêm da necessidade do varejista especializado de ter uma presença física mais próxima dos clientes do e-commerce para poder atender de forma mais eficiente e rápida”, afirma André Friedheim, presidente da ABF (Associação Brasileira de Franchising).

Qual a vantagem das dark stores?

“Diminui o custo com frete para a empresa e para o cliente, os pedidos são entregues mais rapidamente e possibilita mais um local como opção de retirada de produtos para o cliente. Todos os envolvidos na venda online acabam ganhando: a operação do varejista fica mais barata, o comprador paga menos e recebe mais rápido”, afirma Alessandro Gil, diretor-executivo da Linx Digital.

Em 2020, o e-commerce brasileiro conquistou 13 milhões de novos consumidores, segundo pesquisa do Webshoppers 43. “Como os consumidores estão usando a internet para adquirir mais produtos, é fundamental que essa atividade esteja próxima do consumidor final. Se não tiver essa agilidade, você vai perder vendas”, afirma Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo).

A primeira dark store da Marisa começou a operar em fevereiro deste ano para atender a região Sudeste do Brasil. “Estas unidades são dedicadas a abastecer, exclusivamente, os pedidos oriundos dos nossos canais digitais. Com isso, atendemos a cliente com mais agilidade e otimizamos a experiência do consumidor”, afirma Rafael Rocha, diretor de Logística e Engenharia da Marisa.

Qual a diferença entre dark store e centro de distribuição? “Tradicionalmente, centros de distribuição são grandes e se localizam em regiões do interior, mais afastadas das grandes metrópoles. As dark stores, por outro lado, são menores e ficam dentro das cidades, funcionando como pequenos centros de distribuição, sem acesso para o público, mas muito mais próximos da maior parte dos consumidores que procuram pelo produto online”, afirma Gil.

Qualquer um pode ser dono de uma dark store?

Depende. No sistema de franchising, Friedheim diz que há franqueadoras podem criar unidades para franqueados, como apostar em um modelo que é gerido pela própria marca.

No caso do Dark Içougue, a operação pode ser montada em qualquer lugar, desde que o franqueado consiga uma liberação da prefeitura para atuar na região. Se tiver um espaço livre em casa que acomode os freezers, está valendo.

O cliente pode comprar pelo site oficial, que já leva diretamente para a dark store mais próxima, pelo aplicativo da empresa, aplicativos tradicionais de entrega ou pelo WhatsApp direto da unidade. “A gente estimula que o parceiro converse com o consumidor final. Queremos a fidelidade do cliente, que ele possa pedir dicas e receber promoções especiais”, afirma Albino.

Qual o investimento inicial?

Varia de acordo com a marca, mas Friedheim adianta que normalmente este modelo é mais barato do que uma franquia tradicional.

“O preço é mais baixo porque não existe a preocupação em investir em ponto comercial, não exige grandes reformas. A dark store precisa estar bem localizada, mas não dentro do shopping mais caro da cidade, por exemplo”, diz Friedheim.

No Dark Içougue, o custo para comprar uma unidade é de R$ 65 mil: o valor inclui freezers, as primeiras carnes e capital de giro. “O custo vai depender da taxa de franquia, mas pode ser até 80% mais barato que uma franquia tradicional”, afirma Friedheim.

Qual a desvantagem?

Se a localização da dark store não for bem escolhida, o negócio será impactado. Para Gil, se a tomada de decisão for bem feita, é uma importante estratégia logística para o varejo.
“É preciso contar com tecnologia para fazer a gestão e integração do hub logístico, seja do estoque das vendas online do seu e-commerce como das lojas físicas que estão funcionando de portas fechadas como centros de distribuição. Sem isso, é muito difícil manter a operação e entender onde ela está funcionando e onde ainda tem pontos de melhoria”, afirma Gil.

 

Crédito: NewTrade
 

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