Como a tecnologia RFID transformará o varejo

Como a tecnologia RFID transformará o varejo

Durante muitos anos os códigos de barra foram a forma que o varejo trabalhava os processos de gestão de estoque e checkout. Atualmente eles já vêm dividindo espaço com a tecnologia de RFID – um modelo de identificação por radiofrequência que permite rastrear qualquer objeto sem a utilização de fios. Por meio das ondas de rádio, normalmente localizada na etiqueta do produto, a ferramenta vem fazendo com que os gestores diminuam suas perdas.

Os benefícios de utilizar o RFID são muitos como aumentar a eficiência operacional, maior precisão de estoques, diminuição das perdas e, consequente, aumento nas vendas. O mercado vem desenvolvendo soluções mais acessíveis, afastando a teoria de que utilizar essa tecnologia é algo caro e de difícil adoção. As etiquetas RFID UHF para varejo têxtil são encontradas no mercado a um preço em torno de R$ 0,30, mas esse valor varia muito de acordo com o volume adquirido.

A preocupação com o descarte também faz com que o setor repense sua utilização e por isso estão sendo fabricadas etiquetas reutilizáveis. É necessário entender, no entanto, que como qualquer componente eletrônico, a etiqueta RFID tem vida útil – algo em torno de anos ou décadas.

Tendência global, ainda com penetração incipiente no Brasil, a solução permite ao varejista contabilizar o estoque de forma rápida e precisa, com uma acurácia acima de 98% (em relação a cada item), de modo a reduzir perdas e aumentar ganhos, seja por diminuir as remarcações de preços ou incrementar a venda online - uma vez que é possível expor todo o estoque, até à última unidade, na loja digital. Por meio de uma etiqueta eletrônica, acessível por ondas eletromagnéticas, cada item passa a ter uma identidade única, possibilitando a identificação constante de discrepâncias em quantidades de cada produto.

O QUE É O RFID?

O Radio Frequency Identification (RFID), é uma tecnologia muito utilizada no varejo para realizar a captura de dados. O objetivo é identificar a localização de determinado objeto, pessoas ou animais. As etiquetas também podem ser usadas como um sensor que fornece informações sobre as condições de um item.

Ele permite monitorar estoques, auxiliando para que um determinado produto nunca falte. Com isso, atua de forma assertiva e evita desperdícios. Existem empresas utilizando RFID como sistema antifurto, porém esta não é sua aplicação principal e seu desempenho é aproximadamente 30% inferior quando comparado à tecnologia AM (acusto magnético).

Além da gestão de estoque, o RFID auxilia a ter mais velocidade em processos como medição de mapa de calor da loja ou check-out facilitado. Existem formas bem simples de realizar a integração com o PDV, normalmente com a utilização de um webservice. Nos produtos, essa tecnologia pode ser utilizada sozinha ou de forma complementar aos códigos de barras.

Uma análise mais profunda permite compreender tendências de compra dos clientes com base no que a ferramenta apresenta. Filtrar informações como, período em que um produto teve melhor saída e a relação com outros hábitos de compra, podem trazer insights valiosos para que a companhia possa se programar para novas compras ou mesmo a indústria para lançamentos.

Outro benefício é no ganho na produtividade dos inventários. Enquanto um coletor de código de barras lê 400 códigos por hora, o handheld RFID lê 4000 etiquetas por hora.

USOS DO RFID NO VAREJO

Entender as diversas possibilidades de aplicação do RFID pode destravar as barreiras que impedem a ampla adoção dela. Veja abaixo algumas delas:

RFID como prevenção de perdas – Como cada item possui uma única etiqueta fica mais fácil trilhar o caminho dele. A partir dessa etiqueta, é possível administrara a curva de saída, auxiliando o processo de compra e controle de estoque. Quando utilizada para prevenção de roubo, ela ativa um alarme caso o consumidor saia da loja com ele sem passar pelo caixa.

RFID no check-out – A velocidade com que um leitor RFID trabalha é altíssima, isso porque o sensor identifica os produtos estejam eles na posição que tiverem. Em um futuro não muito distante, o próprio carrinho de compras escaneie e pese os itens, auxiliando o processo de checkout.

RFID no mapa de calor da loja - Já existem câmeras inteligentes com RFID e Internet das Coisas capazes de extrair informações do cliente dentro da loja. Isso permite que ela tenha mais informações e consiga melhorar cada vez mais seus SKUs, sempre de acordo com o que o consumidor deseja consumir. É possível coletar dados sobre a rota do cliente, os produtos que ele se interessou e o que pode ter distraído ele no momento de escolha.

RFID na manutenção do estoque – Entendendo o que tem mais saída, a empresa pode ministrar junto à área de compras o que merece maior recorrência e o que pode esperar mais. Além disso, todo o trajeto do produto é monitorado, auxiliando a identificação dele caso seja necessário informar em que etapa ele está até chegar ao consumidor.

RFID no rastreamento de veículos – Muitas redes já utilizam RFID para o controle e logística de caminhões nos pátios. Quando uma etiqueta RF é implantada no veículo, ao passar pelos sensores ele disponibiliza sua localização para o controle, possibilitando ao controlador determinar se o próximo caminhão já pode se movimentar. A tecnologia também está sendo aplicada nas cargas para facilitar a sua localização e inibir roubos e furtos.

RFID para pagamento - Por meio da identificação dos sinais, um banco pode receber dados de compra, descontando da conta bancária ou cartão de crédito. Esse é o modelo mais em uso atualmente e que reduz o tempo em um checkout.

Cases de RFID no Brasil

C&A

Apontada como um dos legados da pandemia causada pelo novo coronavírus, a digitalização, que já estava em andamento em vários segmentos, ganhou ainda mais força no pós-Covid-19 e tornou-se um processo irreversível no varejo. A imposição do isolamento social e a consequente diminuição de contato nas lojas, parte do "novo normal", aceleraram a necessidade de uma experiência de compra virtual eficiente, inovadora e agradável para o cliente e, ao mesmo tempo, mais precisa e inteligente para o canal de venda.

Nesse contexto, a C&A, com mais de 280 lojas no país, decidiu acelerar suas iniciativas omnicanal e, dentre estas, a tecnologia RFID (identificação por radiofrequência). A Sensormatic Solutions foi escolhida para pilotar esta tecnologia em algumas lojas da marca. Com isso, a rede pode ter uma gestão mais eficiente de todo o seu estoque. É possível contabilizar, por exemplo, cerca de 250 peças por minuto.

Na prática, os consumidores têm acesso à quantidade real de mercadoria disponível, o que diminui as chances de cancelamento da compra online por causa de inconsistência na visibilidade do estoque, além de oferecer uma melhor experiência no e-commerce. A jornada do consumidor na loja física também é impactada positivamente pela integração entre os canais. Com a inovação, a C&A espera reduzir em até 50% a perda de vendas online por desistência, além aumentar a acurácia de seus estoques em até 95%. 

Hering

Outro projeto de destaque vem da Cia. Hering com o desenvolvimento e implantação do provador inteligente na loja conceito inaugurada em 2018 no Morumbi Shopping, em São Paulo. O projeto desenvolvido pela Mozaiko envolveu desde a execução da obra, instalações físicas, até o fornecimento do software, etiquetas RFID, equipamentos de primeira linha e toda a inteligência artificial que tornou possível a marca propiciar experiências exclusivas aos clientes.  Com isso, a Hering mensura a conversão de vendas por peças provadas e controla o estoque com agilidade, além de acompanhar os resultados em tempo real.

Osklen

a Osklen desenvolveu em 2019 um laboratório dentro de uma das lojas no Rio de Janeiro, no Barra Shopping, com o objetivo de potencializar a experiência do consumidor dentro de seu ambiente. A iniciativa é parte do processo de transformação digital do grupo Alpargatas, detentora da marca Osklen, para melhorar continuamente o atendimento e a experiência, além de minimizar os atritos durante a jornada de compra. Entre outras ferramentas, foram incluídas etiquetas de identificação por radiofrequência (RFID) nos produtos. A partir da tecnologia implementada neste ponto de venda, a empresa consegue saber quando um cliente entra na loja e não reage bem a um produto, por exemplo.

Piticas

A Piticas, empresa especializada na venda de roupas licenciadas de marcas como Disney, Universal e Lucas Films, investiu R$ 5 milhões para implementar a identificação por radiofrequência não só em sua fábrica, mas também nos mais de 300 pontos de venda que possui em todo o Brasil. Dessa forma, conseguiu automatizar e simplificar o inventário do estoque. Na fábrica, por exemplo, a gestão e controle das 800 mil peças produzidas levava cerca de 90 dias e, agora, não passa de 9 horas. Nas lojas, o processo que era de sete horas caiu para cinco minutos - permitindo um controle em tempo real a cada venda realizada.

Na Piticas, o processo de implementação começou em 2017, com o desenvolvimento e integração do sistema da empresa ao módulo RFID. Em janeiro ocorreu a etiquetagem dos produtos na fábrica e, a partir de fevereiro de 2018, todos as roupas produzidas já começaram a ser separadas e faturadas com a nova tecnologia. A expectativa é que todas as lojas credenciadas utilizem esse recurso no primeiro semestre de 2019.

Fora do Brasil, o Amazon Go - supermercado autônomo da gigante Amazon - usa a tecnologia de câmeras para identificar os itens que o cliente tira das gôndolas para fazer a cobrança automaticamente na saída da loja. Além disso, ela também coleta dados sobre a rota da pessoa, os produtos que se interessou, dentre outras coisas.

 

Crédito: Mundo do Marketing

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